Nem sempre é preciso muito dinheiro para dar o próximo passo no negócio. Às vezes, o desafio é reforçar o estoque, investir em equipamentos ou manter as contas em dia durante um período de vendas mais fracas. Se o banco exigir um imóvel ou veículo como garantia, conseguir crédito pode ser ainda mais difícil.
O empréstimo para empresa sem garantia permite buscar recursos sem comprometer um bem específico na operação. Isso não significa aprovação automática, pois a instituição ainda avalia o faturamento, o histórico financeiro e a capacidade de pagamento, e pode exigir aval pessoal ou outras garantias.
O que é empréstimo para empresa sem garantia?
Um empréstimo para empresa sem garantia é uma forma de crédito em que o empreendedor não precisa vincular um imóvel, veículo ou outro bem à operação para receber o dinheiro. Nesse caso, a instituição financeira avalia fatores como faturamento, histórico de pagamentos e capacidade de quitar a dívida antes de decidir pela aprovação.
Imagine que sua loja virtual precise de R$ 15 mil para reforçar o estoque. Em um empréstimo com garantia real, o banco pode exigir um bem como segurança para o pagamento. Em uma linha que dispensa essa exigência, a análise pode se concentrar na movimentação financeira do negócio.
Existe, porém, uma distinção importante. Não oferecer um bem como garantia não significa necessariamente contratar um empréstimo sem nenhum tipo de garantia. Algumas instituições podem exigir aval ou fiança, modalidades em que outra pessoa, como um sócio ou terceiro, assume responsabilidades pelo pagamento conforme as condições do contrato.
A ausência de garantia real também não elimina a dívida ou impede cobranças em caso de inadimplência. Antes de contratar, confira quais garantias são dispensadas e quais responsabilidades permanecem no contrato.
Onde conseguir crédito sem oferecer bens como garantia?
Existem diferentes caminhos para conseguir crédito empresarial no Brasil, desde empréstimos tradicionais até programas voltados especificamente para pequenos negócios. A disponibilidade depende do perfil da empresa, da finalidade do dinheiro e das condições de cada instituição financeira.
Bancos, fintechs e cooperativas de crédito
Bancos, fintechs e cooperativas oferecem linhas de capital de giro para despesas como fornecedores e reposição de estoque. Algumas dispensam a vinculação de bens específicos, dependendo da análise de crédito. Nas instituições digitais, é comum consultar ofertas e encaminhar a proposta pelo aplicativo.
O Nubank, por exemplo, disponibiliza soluções de capital de giro para clientes PJ, incluindo uma modalidade apoiada pelo Fundo Garantidor para Investimentos (FGI-PEAC), do BNDES. Já cooperativas como Sicoob e Sicredi também atuam no financiamento de pequenos negócios, com condições que variam conforme a instituição e a linha escolhida.
Pronampe e ProCred 360
O Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) oferece financiamento por meio de instituições financeiras participantes, com apoio do Fundo Garantidor de Operações (FGO). O programa atende microempresas e empresas de pequeno porte, com limites e condições relacionados ao faturamento.
Outra alternativa é o ProCred 360, voltado a microempreendedores individuais (MEIs) e microempresas com faturamento anual de até R$ 360 mil. Também apoiado por recursos do FGO, o programa prevê condições diferenciadas de financiamento, inclusive limites maiores para negócios liderados por mulheres.
Os fundos garantidores podem reduzir a necessidade de apresentar bens próprios, mas não garantem a aprovação nem dispensam necessariamente o aval pessoal.
Microcrédito para pequenos empreendedores
O BNDES Microcrédito, por exemplo, atende empreendedores formais e informais com receita bruta anual de até R$ 360 mil. Na modalidade de microcrédito produtivo orientado, o financiamento pode chegar a R$ 21 mil por instituição financeira, respeitados os demais limites aplicáveis.
Os recursos podem financiar máquinas, equipamentos, matérias-primas e capital de giro. A contratação acontece por meio de agentes operadores, que avaliam a solicitação e negociam as condições, incluindo eventuais garantias.
Fundo de Aval do Sebrae (Fampe)
Outra possibilidade para quem não possui patrimônio suficiente é recorrer ao Fampe, do Sebrae.
O fundo não concede empréstimos diretamente. Sua função é complementar as garantias exigidas pelas instituições financeiras conveniadas, podendo cobrir até 80% do valor da operação nas condições habituais. Existem ainda iniciativas específicas com percentuais maiores de cobertura, como as destinadas a negócios liderados por mulheres.
Procure uma instituição conveniada e confira se ela aceita o Fampe. A concessão do aval também pode envolver cobrança de comissão.
Portal CRED+ do governo federal
Se você ainda não sabe por onde começar, o CRED+ permite encaminhar solicitações de produtos e serviços financeiros a instituições participantes.
Disponível para MEIs, micro e pequenas empresas e artesãos, o serviço facilita o contato com bancos que oferecem crédito para comprar mercadorias, equipamentos ou ampliar o negócio.
O CRED+ não é uma linha de financiamento e não garante aprovação. Ainda assim, pode ajudar você a encontrar instituições interessadas em analisar sua solicitação sem precisar procurar cada uma separadamente.
Quem pode solicitar esse tipo de crédito?
MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte podem solicitar crédito sem garantia real, desde que atendam aos critérios da instituição e da linha escolhida. Um CNPJ ativo, por si só, não garante a aprovação.
Mesmo quando não exige imóveis ou veículos como garantia, o banco precisa avaliar se a empresa terá condições de devolver o dinheiro. Segundo o Sebrae, alguns dos principais critérios considerados nessa análise são:
- Faturamento e capacidade de pagamento: a instituição verifica quanto a empresa recebe, suas despesas e o fluxo de caixa disponível para assumir novas parcelas.
- Histórico de crédito: pagamentos anteriores, dívidas em aberto e eventuais restrições no CPF ou CNPJ podem influenciar a aprovação e as condições oferecidas.
- Tempo de atividade: empresas com mais tempo de funcionamento geralmente conseguem apresentar um histórico financeiro mais consistente. Algumas linhas, entretanto, também atendem negócios recém-abertos.
- Situação financeira e documental: registros contábeis, regularidade cadastral e informações sobre receitas e despesas ajudam o banco a entender os riscos da operação.
O histórico de pagamentos merece atenção especial. O Cadastro Positivo, por exemplo, reúne informações sobre o comportamento financeiro de pessoas físicas e empresas, que podem ser utilizadas pelas instituições na avaliação de crédito. Manter as contas em dia ajuda a construir esse histórico, embora uma boa pontuação não garanta a liberação do empréstimo.
Uma empresa recém-aberta também pode conseguir crédito, mas o pouco histórico de faturamento dificulta a análise. Algumas instituições avaliam movimentação bancária, projeções de receita ou experiência do empreendedor, e certas linhas têm regras próprias para negócios novos.
Da mesma forma, ter restrições no CPF ou CNPJ não significa que todas as possibilidades estejam descartadas, embora possa limitar bastante as ofertas disponíveis ou aumentar o custo do crédito.
Como solicitar um empréstimo para sua empresa
Com o valor necessário em mente, organize a documentação e compare propostas antes de contratar. O processo costuma envolver as seguintes etapas:
1. Defina quanto sua empresa realmente precisa
Antes de procurar um banco, identifique exatamente como o dinheiro será utilizado. Se o objetivo é comprar mercadorias, por exemplo, faça um levantamento dos produtos, quantidades e custos envolvidos. Se você precisa de capital de giro, calcule a diferença entre as despesas previstas e os recursos disponíveis no caixa.
Evite solicitar um valor maior apenas porque a instituição oferece um limite elevado. Afinal, todo dinheiro emprestado terá um custo, e contratar recursos sem uma finalidade definida pode comprometer a rentabilidade da empresa.
Também vale projetar o fluxo de caixa dos próximos meses para verificar se haverá dinheiro suficiente para pagar as parcelas, inclusive em períodos de vendas mais fracas.
2. Organize os documentos e as informações financeiras
Ter a documentação preparada evita atrasos e facilita a análise da instituição financeira. As exigências variam conforme a modalidade e o porte da empresa, mas podem incluir:
- CNPJ ativo e documentos de identificação do responsável;
- comprovantes de endereço e de faturamento;
- extratos bancários e registros de movimentação financeira;
- declarações fiscais, como a DASN-SIMEI para microempreendedores individuais;
- demonstrativos contábeis e fluxo de caixa, quando solicitados.
Algumas instituições também pedem um plano de negócios ou uma descrição detalhada de como o empréstimo será utilizado. Nesse caso, apresente os investimentos previstos, os resultados esperados e a forma como pretende pagar a dívida.
3. Pesquise instituições e compare as condições
Consulte diferentes bancos, fintechs e cooperativas, mesmo que já tenha relacionamento com uma dessas instituições.
Compare principalmente as taxas de juros, o prazo de pagamento, o valor das parcelas e o Custo Efetivo Total (CET), que considera os juros e outros encargos incluídos na operação. Essa informação ajuda a identificar o custo real do financiamento.
4. Faça a solicitação de crédito
Acesse o aplicativo, site ou agência da instituição escolhida e preencha a proposta com o valor desejado, a finalidade do financiamento e os dados solicitados para a análise de crédito.
Outra possibilidade é utilizar o CRED+, disponível no Portal Empresas & Negócios. Para encaminhar sua solicitação pelo programa:
- Acesse o portal e selecione Faça sua Solicitação.
- Entre com sua conta gov.br.
- Confirme seus dados cadastrais e informe o tipo de crédito desejado.
- Preencha as informações complementares e anexe os documentos solicitados.
- Selecione as instituições participantes, quando essa opção estiver disponível, e finalize a solicitação.
O serviço encaminha as informações às instituições escolhidas, que serão responsáveis por avaliar o pedido e apresentar eventuais propostas.
5. Analise o contrato antes de assinar
Se o empréstimo for aprovado, confira se as condições finais correspondem à proposta apresentada. Observe o valor líquido que será disponibilizado, os encargos, as datas de vencimento e as consequências de atrasos no pagamento.
Leia com atenção as cláusulas relacionadas às garantias. Se houver aval pessoal, por exemplo, verifique quais obrigações o avalista assume e em quais situações poderá ser cobrado.
Também é importante confirmar a legitimidade da instituição. O Banco Central disponibiliza uma ferramenta para consultar instituições autorizadas, reguladas ou supervisionadas. Desconfie de empresas que exigem depósitos antecipados para liberar o dinheiro.
6. Acompanhe a utilização do dinheiro e os pagamentos
Depois de receber os recursos, mantenha um controle separado de como o valor está sendo utilizado e registre as parcelas futuras no fluxo de caixa.
Se o empréstimo financiou mercadorias ou equipamentos, acompanhe se as vendas ou os ganhos de produtividade estão trazendo o retorno esperado.
Quanto custa contratar um empréstimo empresarial?
Segundo o Banco Central, as taxas praticadas variam conforme a modalidade de crédito, a situação cadastral do cliente e as garantias envolvidas na operação. Por isso, vale comparar propostas de diferentes instituições antes de assumir uma dívida.
Juros e Custo Efetivo Total (CET)
A taxa de juros é apenas uma parte do custo do financiamento. Dependendo da operação, também podem existir tarifas, seguros, cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e outros encargos.
Para comparar esses custos, observe o Custo Efetivo Total (CET), que reúne os encargos envolvidos no empréstimo em uma taxa percentual. É possível que uma proposta tenha juros menores que outra, mas apresente um CET mais elevado devido às despesas adicionais.
A Resolução CMN nº 4.881/2020 determina que as instituições abrangidas informem o CET e apresentem seu demonstrativo antes da contratação de operações de crédito com pessoas físicas, incluindo empresários individuais, microempresas e empresas de pequeno porte, ressalvadas as exceções previstas na norma.
Exemplo de quanto você pagaria pelo empréstimo
Imagine que sua loja virtual precise de R$ 20 mil para comprar mercadorias e consiga um empréstimo com juros fixos de 2% ao mês, para pagamento em 24 parcelas mensais iguais.
Considerando o sistema de amortização Price, sem tarifas, impostos ou outros encargos, a simulação seria a seguinte:
| Condição | Valor |
|---|---|
| Valor emprestado | R$ 20.000,00 |
| Taxa de juros | 2% ao mês |
| Prazo | 24 meses |
| Parcela mensal | R$ 1.057,42 |
| Total a pagar | R$ 25.378,13 |
| Total de juros | R$ 5.378,13 |
Nesse exemplo, você pagaria aproximadamente R$ 5,4 mil apenas em juros, além dos R$ 20 mil recebidos. O valor efetivo pode ser maior caso existam IOF, tarifas ou outras despesas.
Agora imagine que outra instituição ofereça os mesmos R$ 20 mil, pelo mesmo prazo, mas com juros de 1,5% ao mês. A parcela cairia para aproximadamente R$ 998,48, e o total pago seria de R$ 23.963,57, uma economia de cerca de R$ 1,4 mil ao longo do financiamento, antes dos demais encargos.
Compare o valor líquido recebido, o total a pagar e o peso das parcelas no fluxo de caixa. Um prazo maior pode reduzir a parcela mensal, mas aumentar os juros acumulados.
Decida se o empréstimo vale a pena para sua empresa
Um empréstimo sem garantia real pode ajudar sua empresa a investir, mas as parcelas continuarão vencendo mesmo que as vendas fiquem abaixo do esperado. Antes de contratar, avalie se os recursos trarão retorno suficiente e se as prestações cabem no orçamento.
AVISO: Este guia é apenas para fins informativos e não constitui aconselhamento jurídico ou profissional. Consulte um especialista, instituições e autoridades para obter informações específicas sobre seu local e circunstâncias. A Shopify não se responsabiliza pelo uso desses guias.
Perguntas frequentes sobre empréstimo para empresa sem garantia
É possível conseguir empréstimo empresarial sem oferecer um imóvel ou veículo?
Sim. Algumas linhas dispensam imóveis, veículos ou outros bens, mas a aprovação depende da análise de crédito. O contrato ainda pode exigir aval pessoal ou fiança.
MEI pode solicitar empréstimo sem garantia?
Sim. MEIs podem solicitar crédito em bancos, fintechs, cooperativas e programas como o ProCred 360, sujeitos à análise do perfil e às condições de cada linha.
Uma empresa recém-aberta consegue empréstimo sem garantia?
Sim, mas a falta de histórico financeiro pode dificultar a aprovação. Cada instituição define seus critérios, e algumas oferecem linhas voltadas a empresas com pouco tempo de atividade.

