Os drones abriram novas oportunidades para empreendedores que desejam ganhar dinheiro com fotografias e filmagens aéreas ou oferecer serviços especializados, como inspeções de obras, monitoramento de terrenos e mapeamento de áreas agrícolas.
Segundo estimativas da Grand View Research (estudo em inglês), o mercado brasileiro de drones movimentou aproximadamente US$ 1,53 bilhão em 2025 e pode alcançar US$ 3,12 bilhões até 2033. Com tantas aplicações comerciais, abrir um negócio com drones pode ser uma oportunidade interessante para quem deseja empreender no setor.
Neste guia, você conhecerá diferentes maneiras de ganhar dinheiro com drones, além dos requisitos de capacitação, registro e autorização necessários para operar legalmente no Brasil.
O que você precisa para começar um negócio com drones?
Para começar um negócio com drones no Brasil, você precisa conhecer as exigências dos órgãos responsáveis pela regulamentação dessas aeronaves. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) estabelece os requisitos de segurança operacional, enquanto o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) regulamenta o acesso ao espaço aéreo. Já a Anatel é responsável pela homologação dos equipamentos de telecomunicações utilizados nos drones.
Em junho de 2026, a ANAC publicou o Regulamento Brasileiro da Aviação Civil nº 100 (RBAC nº 100), que passou a classificar as operações conforme seu nível de risco. Por isso, antes de prestar serviços, verifique as regras aplicáveis ao seu equipamento e ao tipo de voo que pretende realizar.
Requisitos para operar drones
O primeiro passo é identificar quais regras se aplicam ao seu equipamento e à atividade que pretende exercer. No Brasil, o RBAC nº 100 estabelece três categorias de operação: Aberta, Específica e Certificada, conforme o risco envolvido. A categoria Aberta abrange operações de menor risco, com drones de até 25 kg, voos dentro da linha de visada visual direta (VLOS, do inglês Visual Line of Sight) ou estendida (EVLOS, Extended Visual Line of Sight) e altura máxima de 120 metros acima do solo. Operações que ultrapassam esses limites podem exigir avaliações de risco e autorizações adicionais. Já os drones de até 250 gramas que operam nas condições previstas pela Resolução ANAC nº 806/2026 seguem regras simplificadas.
Antes de começar a trabalhar com seu drone, conheça algumas exigências básicas de segurança:
- Mantenha o drone dentro do campo de visão. Em voos VLOS, você precisa acompanhar visualmente a aeronave durante a operação. Na modalidade EVLOS, observadores auxiliam a manter esse contato visual. A categoria Aberta estabelece altura máxima de 120 metros acima do solo.
- Evite outras aeronaves e áreas restritas. Não opere próximo de aviões ou helicópteros e verifique as restrições aplicáveis a aeroportos, instalações militares e outras regiões com controle especial. Consulte o SARPAS, sistema do DECEA, para verificar as condições de acesso ao espaço aéreo e solicitar autorização quando necessário.
- Voe com responsabilidade. Evite manobras que coloquem pessoas ou propriedades em risco. Na categoria Aberta, a regra geral prevê uma distância horizontal mínima de 30 metros de pessoas não envolvidas e que não tenham autorizado a proximidade, com exceções previstas na regulamentação. Respeite também a privacidade e o direito de imagem de terceiros.
- Não comprometa a segurança durante a pilotagem. Evite operar em situações que prejudiquem sua atenção ou o controle do equipamento, como dirigir um veículo enquanto pilota. Antes da decolagem, verifique as condições meteorológicas, a bateria e possíveis obstáculos.
- Respeite os limites de operação simultânea. Em regra, um piloto remoto pode operar apenas um drone por vez, salvo quando houver autorização específica da ANAC nas operações abrangidas pelo RBAC nº 100.
Atenção: essas orientações não substituem as condições exigidas para cada voo. A ICA 100-40 do DECEA, atualizada em 2026, detalha as regras de acesso ao espaço aéreo brasileiro. Dependendo do local, da altitude e da natureza da operação, poderão existir restrições extras.
Certificação de piloto remoto
Para trabalhar profissionalmente com drones, também é necessário verificar os requisitos de capacitação e habilitação estabelecidos pela ANAC. Desde junho de 2026, o RBAC nº 100 exige aprovação em um exame de conhecimentos teóricos para os pilotos abrangidos por esse regulamento. A avaliação é realizada online, com 20 questões sobre segurança operacional, regulamentação, espaço aéreo e gerenciamento de riscos. Você pode acessar o Centro de Treinamento da ANAC para consultar o conteúdo e realizar a avaliação.
A necessidade de licenças, habilitações ou treinamentos extras depende do tipo de operação e dos riscos envolvidos. Para atividades na categoria Específica ou Certificada, por exemplo, podem ser exigidos requisitos complementares. Já os drones de até 250 gramas operados conforme a Resolução nº 806/2026 não estão sujeitos à mesma exigência de exame do RBAC nº 100. Isso não elimina a responsabilidade do piloto pela segurança do voo, nem a obrigação de respeitar as regras do DECEA.
Dito isso, se você pretende abrir um negócio com drones, é imprescindível investir em treinamento prático para dominar o equipamento, aprender a lidar com imprevistos e oferecer serviços profissionais com segurança.
Cadastro e registro de drones
Além dos requisitos de pilotagem, você precisa verificar se o drone deve ser cadastrado na ANAC.
Em geral, aeronaves com peso superior a 250 gramas devem ser cadastradas no Sistema de Aeronaves Não Tripuladas (SISANT). O cadastro vincula o equipamento a uma pessoa física ou jurídica, identificada por CPF ou CNPJ, e tem validade de 24 meses. Já determinadas aeronaves certificadas precisam ser registradas no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB).
A ANAC também exige que o número de cadastro seja identificado no drone, de maneira legível e acessível para inspeção. A identificação pode ficar na parte externa da aeronave ou em um compartimento interno que possa ser aberto sem ferramentas. Como o cadastro tem validade de 24 meses, é preciso renová-lo periodicamente.
Drones de até 250 gramas utilizados nas condições previstas pela Resolução nº 806/2026 estão dispensados do cadastro na ANAC. Contudo, essa dispensa não significa que estejam livres das demais regras de operação. Também é importante confirmar se o equipamento possui homologação da Anatel. A agência disponibiliza uma consulta pública de produtos homologados, na qual você pode verificar os certificados emitidos para equipamentos de telecomunicações, incluindo os sistemas utilizados em drones.
Antes de cada operação, consulte o portal de drones do DECEA e utilize o SARPAS para conferir se precisa de autorização de voo. O sistema permite solicitar acesso ao espaço aéreo brasileiro conforme as condições e restrições da região onde você pretende trabalhar.
Outro cuidado é contratar um seguro adequado ao seu negócio. O RBAC nº 100 exige cobertura de danos a terceiros para as operações abrangidas pelo regulamento, com algumas exceções específicas. Já as operações enquadradas na Resolução nº 806/2026 estão dispensadas dessa obrigação. Mesmo quando o seguro não é obrigatório, vale avaliar a contratação de uma cobertura para possíveis acidentes, danos materiais ou ferimentos.
8 maneiras de ganhar dinheiro com drones
- Fotos e vídeos para bancos de imagens
- Casamentos
- Mercado imobiliário
- Produções audiovisuais
- Busca e salvamento
- Mapeamento e levantamentos
- Aulas e cursos sobre drones
- Inspeção de edifícios
Um piloto profissional pode ganhar dinheiro com drones de diversas maneiras, incluindo as seguintes atividades:
Fotos e vídeos para bancos de imagens
Você pode licenciar fotografias e filmagens aéreas em bancos de imagens como Shutterstock, Getty Images e Adobe Stock. Empresas de diferentes setores procuram essas plataformas para encontrar imagens e vídeos que possam utilizar em apresentações, sites, redes sociais e materiais de marketing, como folhetos, cartões de visita, catálogos e anúncios digitais. Se você tem habilidade com fotografia, pode produzir imagens aéreas de paisagens naturais, cidades e pontos turísticos brasileiros e receber uma remuneração sempre que alguém licenciar seu conteúdo nessas plataformas.
Casamentos
Outra maneira de ganhar dinheiro com drones é oferecer serviços de fotografia e filmagem aérea para casais que desejam registrar seus casamentos de uma perspectiva diferente. No Brasil, segundo estimativas publicadas pela Cronoshare em 2026, a contratação de um fotógrafo para a cobertura de um casamento pode custar entre R$ 3 mil e R$ 8,5 mil, dependendo dos serviços incluídos. Um piloto de drone pode fazer parcerias com fotógrafos tradicionais para produzir imagens aéreas especiais do evento.
Mercado imobiliário
Pilotos que utilizam drones equipados com câmeras de alta resolução também podem oferecer serviços de fotografia e filmagem para corretores e imobiliárias que precisam de imagens aéreas atraentes de seus imóveis. Boas fotografias imobiliárias ajudam os corretores a atrair potenciais clientes para seus anúncios, e imagens aéreas de alta qualidade podem valorizar ainda mais a apresentação de uma propriedade. Entre em contato com corretores e imobiliárias da sua região para oferecer seus serviços com drones.
Produções audiovisuais
Pilotos experientes podem trabalhar em produções de cinema e televisão, oferecendo filmagens aéreas de alta qualidade de acordo com as necessidades de cada projeto. Embora essa atividade possa ser mais lucrativa em cidades com maior concentração de produções audiovisuais, como São Paulo e Rio de Janeiro, nem sempre é fácil saber quais projetos estão sendo realizados na sua região. Procure estabelecer contatos com cineastas e produtoras e comece com projetos menores, como conteúdos de marca, anúncios para empresas locais ou videoclipes.
Busca e salvamento
Alguns órgãos federais, estaduais e municipais, além de organizações voluntárias que realizam operações de busca e salvamento, utilizam drones em suas atividades. Um piloto experiente pode oferecer seus serviços para fornecer imagens aéreas de regiões de mata, rios, áreas alagadas e situações perigosas, como incêndios ou enchentes. Esse tipo de serviço pode exigir drones equipados com tecnologias especiais, como câmeras térmicas, que facilitam a identificação de pessoas em situações de perigo.
Mapeamento e levantamentos
Pilotos de drones também podem oferecer serviços especializados para empresas que precisam coletar informações importantes para mapeamento e levantamentos de terrenos. Por exemplo, empresas podem contratar operadores de drones para auxiliar no planejamento de empreendimentos, no desenvolvimento de terrenos, na elaboração de mapas topográficos e em inspeções agrícolas. Com o uso de drones, essas empresas conseguem coletar dados importantes de grandes áreas com muito mais rapidez do que por métodos tradicionais de levantamento, além de reduzir os gastos com a contratação de aviões ou helicópteros.
É importante distinguir a captura de imagens da realização de levantamentos técnicos. Segundo o Confea, atividades de aerolevantamento e aerofotogrametria podem exigir profissional habilitado, Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) e outras autorizações específicas. A experiência em pilotagem, por si só, não habilita alguém a assinar mapas técnicos, laudos ou levantamentos topográficos.
Aulas e cursos sobre drones
Se você é um piloto experiente, pode considerar abrir um negócio oferecendo aulas particulares ou vendendo cursos online sobre o uso de drones para fotografia e filmagem comercial. Outra possibilidade é criar seu próprio canal no YouTube para ensinar técnicas de pilotagem e compartilhar boas práticas para produzir fotografias aéreas. Ensinar outras pessoas a utilizar drones é uma ótima maneira de ganhar dinheiro e, ao mesmo tempo, conhecer potenciais clientes para outros serviços que você oferece, como filmagens de casamentos ou levantamentos de terrenos.
Inspeção de edifícios
Outra maneira de ganhar dinheiro com drones é oferecer serviços de inspeção para empresas que precisam acompanhar projetos de construção civil. Por exemplo, pilotos de drones podem ajudar empresas especializadas em telhados a economizar tempo e evitar os riscos de um funcionário precisar subir até uma cobertura para verificar possíveis danos ou sinais de deterioração. Você pode vender agendamentos desses serviços de inspeção ou comercializar as próprias imagens por meio de uma loja Shopify, utilizando os recursos de venda de serviços e produtos digitais, que dispensam a configuração de frete necessária para mercadorias físicas.
AVISO: Este guia é apenas para fins informativos e não constitui aconselhamento jurídico ou profissional. Consulte um especialista, instituições e autoridades para obter informações específicas sobre seu local e circunstâncias. A Shopify não se responsabiliza pelo uso desses guias.
Perguntas frequentes sobre negócio com drones
Ter um negócio com drones é lucrativo?
Um negócio com drones pode ser lucrativo, especialmente se você for um piloto experiente e tiver contatos com clientes dispostos a contratar seus serviços em setores como mercado imobiliário, casamentos, publicidade, construção civil e levantamentos de terrenos. Ao calcular a rentabilidade, inclua os gastos com deslocamento, baterias, manutenção, seguro, edição das imagens e depreciação do equipamento. Um serviço de R$ 800, por exemplo, não representa R$ 800 de lucro: é preciso descontar todos os custos associados à execução do trabalho.
Como ganhar dinheiro com drones nas horas vagas?
Existem várias maneiras de ganhar dinheiro com drones como atividade complementar, incluindo o licenciamento de fotografias e vídeos aéreos em bancos de imagens ou a prestação de serviços de fotografia e filmagem para empresas.
É obrigatório contratar seguro para um negócio com drones?
No Brasil, o RBAC nº 100 da ANAC exige seguro contra danos a terceiros para as operações abrangidas pelo regulamento, com algumas exceções. Entre as exceções previstas no RBAC nº 100 estão operações de drones pertencentes a entidades controladas pelo Estado e determinadas operações agrícolas sobre áreas desabitadas, respeitadas as condições previstas na regulamentação. Já os drones de até 250 gramas operados conforme a Resolução nº 806/2026 estão dispensados dessa exigência. Mesmo quando não é obrigatório, o seguro pode ajudar a cobrir eventuais danos materiais ou pessoais causados durante os voos.

